segunda-feira, 19 de julho de 2010

A música está morrendo na TV - Regis Tadeu

Palavra de honra: minha intenção inicial era escrever sobre coisas bacanas, mas, como sempre, algo desagradável vem chamando a atenção de meus míseros neurônios. Refiro-me ao inacreditável festival de repugnância musical proporcionado por algumas emissoras de TV. Como se já não bastasse a baixíssima – para não dizer inexistente – qualidade de alguns programas, estamos agora presenciando algo que beira o inacreditável: músicas de péssima categoria sendo tratadas como arte.

Está na cara que isso não passa de mais um capítulo no cada vez mais veloz processo de emburrecimento ao qual toda a Humanidade está sendo submetida. Só isso pode explicar entrevistas em que “mulheres-frutas” anunciam lançamentos de discos que jamais ocorrem e programas desesperados por audiência apresentando ora bandas de um pretenso “forró” que, na verdade, não passam de agrupamentos de músicos comandados por empresários espertos – se você acha que aberrações como Calcinha Preta, Dejavu e outros fazem “forró”, está na hora de entrar em uma escola de música e tomar algum remédio contra a surdez -, ora recebem duplas sertanejas surgidas do nada que, sabe-se lá por quais “motivo$$$$”, já surgem lançando DVDs e apregoando que já possuem “ônibus próprio” e outras afirmações de pujança, quando sequer começaram a construir uma carreira. Nem vou comentar a respeito da presença de “funkeiros” e de tipos como o Latino porque não estou a fim de ficar com o meu estômago embrulhado…

Talvez as pessoas estejam realmente propensas a assumir um estado de espírito em que seja possível enxergar graça no que é musicalmente repugnante. É duro admitir, mas a burrice parece ter se tornado item de cesta básica.

Acho necessário analisar as coisas sobre o ponto de vista da baixeza moral. Por que existe tanta gente sem um pingo de talento genuíno disposta a fazer qualquer coisa para ganhar dinheiro e aparecer na TV por intermédio da… ahn… “música”?

A resposta pode estar no fato de que essa imensa massa de imbecis está totalmente desiludida com os benefícios que a aquisição de cultura pode trazer ao espaço que existe entre suas orelhas. A turba de idiotas prefere o caminho mais fácil, que passa pelo constrangimento de expor suas vergonhas intelectuais em cadeia nacional, servindo como modernos bufões para o divertimento da corte por meio de músicas desprovidas até mesmo de algum tipo de diversão. Como explicar que pessoas como a tal “Stefhany” (sim, aquela do “Cross Fox”) seja tratada – da maneira mais sordidamente hipócrita – como “cantora” nos programas de TV em que ela volta e meia aparece? Infelizmente, a música – salvo raras exceções – virou um tipo de atração televisa equivalente aos exames de DNA, às pegadinhas amadoristicamente forjadas e encenadas, que tem o mesmo equivalente artístico da convivência forçada dentro de uma casa ou de uma fazenda.

E tudo isso nada mais é do que o reflexo inequívoco de que a convivência com a realidade está anestesiando as pessoas. O mais apavorante é que esse fenômeno está acontecendo em escala mundial. Quase toda a indústria musical – e do entretenimento em geral – está comprometida em fazer com que todos nós não percamos tempo em pensar – vide o recente surgimento de “desgraceiras” como Jonas Brothers, Lady Gaga, Justin Bieber e seus equivalentes nacionais em termos de falta de qualidade, como Fresno, Restart e outros menos representativos. Há uma aura de “democracia” quando os responsáveis por tal empreitada alegam que tudo o que fazem é “dar ao público o que ele quer”. Ledo engano. O que se celebra é a socialização da burrice. Finalmente, conseguimos a proeza de profissionalizar a idiotice.

Musicalmente falando, a TV brasileira vem se tornando cada vez mais um receptáculo eletrônico que emana cada vez menos imagens e sons carregados de minúsculas doses de cultura musical digna. Até quando você vai aceitar isso?

Um comentário:

Anônimo disse...

quem vc seu pau nu cu pra falar mau da Calcinha Preta....